sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 6


14/01/2018

Hoje começamos o dia renovando o dendê com a moqueca deliciosa. De lá alguns foram pedir as bençaõs das águas de Oxalá e outros foram para a nação Leão Coroado.

E como chegar para visitar um parente distante, a família estava de braços abertos felizes pelos batuqueiros que retornaram e pela nossa presença que engrossou o clado dessa batida ancestral.

Conversamos com os presentes nos nutrindo com o delicioso caldinho da dona Janete. De láuns retornaram para a casa e outros foram para Olinda sentindo a pressão do ir e vir das ladeiras e o suingue do som feito no xinxim da Baiana.
No horizonte aponta o navio
bandeiras ao alto com grande esplendor.
Leão Coroado sustenta a pisada
vem ver a princesa Isabé que chegou.
Foto: Guilherme Ledoux.
Foto: Guilherme Ledoux.





quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 5


Instigados pelo Traga Vasilha fizemos o nosso primeiro ensaio em casa. De lá nos arrumamos para ir à nação Leão Coroado e, na chegada, o inesperado: uma pessoa da comunidade havia falecido na sexta e por conta disso o ensaio tinha sido suspendido.

O primeiro grupo avisou do ocorrido e ficou lá conversando com dona Janete, esposa do mestre Afonso, que estava fazendo a roupa de dona Isabel, calunga da nação. Enquanto isso o resto do grupo foi para o ensaio dos parceiros do afoxé Omo Nilê Ogunjá. Na batida do ijexá nos sintonizamos com a força dos orixás e com a emoção da coletividade.

De lá partimos para o bairro de Pina, para assistir o ensaio da nação Porto Rico, a onda verde e vermelho ecoava precisa e repleta de axé.

Ao final, ficamos confraternizando com as batuqueiras e batuqueiros da nação e fomos conhecer a Tenda Espírita Jesus Maria José, onde estava ocorrendo a saída da mestra Rosália no culto da Jurema sagrada. Fomos muito bem recebidos e ali, no ritual compreendemos porque o povo de axé considera aquela prática religiosa uma ciência.
Brilhou o verde e o vermelho
Santa Maria é o veleiro
Porto Rico tem um baque
que balança o mar inteiro.


Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 4

Oh que Nação coroada que vem do lado de Mina,
nas águas verdes do mar eu vou cumprir minha sina.
Sina, propósito, missão… a cada dia vamos aprendendo e fortalecendo nosso objetivo aqui. O Arrasta Ilha chegou na zona da Mata para visitar a nação Estrela Brilhante de Igarassu. Conversamos com o mestre Gilmar e o porta-estandarte Tio Bel, sobre como são feitos os figurinos, sobre dona Emília —calunga da nação—  a confecção dos instrumentos. Tomamos um super café feito por dona Marli, esposa do mestre Gilmar.

Descemos para o ensaio, a lapada de Igarassu bateu forte, tocamos e dançamos conforme o fundamento da casa, e vivemos um lindo encontro com a rainha Rafaela.

Para fechar levamos nosso axé para o Traga Vasilha no Recife antigo. Presenciamos momentos de compartilhamento entre as nações.

Salve rainha Marivalda! Salve mestre Teté! Salve mestre Arlindo! Salve baiana rica Mauricéia! Salve todas as batuqueiras e batuqueiros que, no brincar, nos ensinam a alegria e leveza que o maracatu pode nos proporcionar.
Eu sou de aqui, eu sou de lá,
maracatu em qualquer lugar.




Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 3


Batuque, amizade, com fé e emoção,
o Arrasta Ilha no meio da avenida.
Tais sentimentos nos proporcionam o mergulho, a imersão, que pode ser traduzido na palavra resistência. Aqui além dos conhecimentos diários sobre maracatu aprendemos também coletivamente a ser seres humanos melhores.

No jargão popular é a parte que faz o todo, por isso respeito e cuidado tem tido mais sentido a cada hora juntos, fortalecendo nosso pertencimento. E para completar tudo isso, Baque Mulher —uma red impulsionada pelo som que liga mulheres do pais inteiro orquestrada pela mestra Joana d'Arc.

Ali dançamos, tocamos, cantamos, conhecemos outras e tivemos o apoio de nossos companheiros, demostrando que este ideal de sororidade deve ser vivenciado por todos nós.
E se mexer com ela eu não vou deixar. Não vou!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 2

E na janela do dia
Olinda erguida de dentro d'água.
Com a força das águas de Iemanjá que nos guiaram até aqui, teus recifes transformaram tal presencia e beleza.

Nas potencias de Oxum entre o sobe desce das ladeiras, nos proporcionaste encontros necessários com Beth de Oxum. A traves de este encontros nos reconectamos com a esperança de transformação aterrada no território que é a força do terreiro, da comunidade com sentido de pertença à história de presencia do povo negro. Resumindo: Ta na hora do pau comer!

Dali adentrámonos  na zona norte descendo a escadaria da rua 21. Mais uma vez o território se fez presente e o rufar dos tambores nunca bateu tão forte.

Que seja de aprendizado esse período, este período de muito axé e entendimento para nosso povo de Floripa que precisa compreender o aprendizado que a potência de Nana nos coloca neste momento.
O mestre apitou
me traga o agbê, o mineiro e o tambor
da licença meu povo
Arrasta Ilha aqui chegou.





sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço

O meu coração ancorou
quando ouvi o primeiro tambor
entreguei a Recife minha emoção
e a Pernambuco meu amor.
Às vezes é preciso refazer rotas para fortificar nossas raízes e esse é o sentimento inicial do maracatu Arrasta Ilha na realização do projeto "Coroado Seja o Maracatu!": residencia artística do maracatu Arrasta Ilha junto às nações pernambucanas, aprovado no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2017.

Estamos de coração aberto; que seja um período de aprendizado, de harmonia, de entrega, pois as grandezas que a prática cultural do maracatu têm a nos oferecer é dada no plano da vivência.

E nesse caminhar levamos o melhor de nós e o coração de tantos do grupo que também gostariam de estar vivendo essa experiência. Que possamos permanecer conetados e abençoados por toda espiritualidade.
Pernambuco, Santa Catarina
quem nos fortalece é o mar
nosso baque tem a força
das ondas de Iemanjá.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Consciência Negra: todos os dias e para todos!

No dia 20 de novembro é preciso gritar ao mundo hoje e sempre Consciência Negra Já! De janeiro a dezembro e para todxs! Por isso o Maracatu Arrasta Ilha, junto com o Coletivo Abayomi e Grupo de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô, que juntos fazem parte do Coletivo Afro Floripa, vem saudar toda ancestralidade negra mostrando abaixo um pouco do que foi o nosso 1º Alapalá - Encontro de Mestres da Cultura Popular de Matriz Africana realizado no último mês de setembro. Ano que vem tem mais! Axé!